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25/06/2009

Sua equipe é intra-empreendedora?


*Por Paulo Kretly

Empreendedor não é apenas aquele que cria seu próprio negócio, mas também quem contribui para o crescimento da empresa na qual trabalha e para a melhoria de sua e de outras comunidades.

Buscar em si mesmo iniciativas criativas para solucionar problemas, atingir objetivos e transformar aspirações em projetos, projetos em realidade e a realidade em algo melhor são características dos profissionais do sonho de qualquer empresa que deseja crescer e prosperar, estimular a criatividade de seus funcionários e colaboradores. Esses profissionais são reconhecidos hoje como intra-empreendedores, pessoas que enxergam a empresa em que trabalham como sua; que possuam uma força criativa.

Diante deste cenário - que no passado ameaçava muitos líderes e ainda constrange alguns executivos - a função do líder moderno é estimular a criatividade de seus funcionários e colaboradores, potencializando ainda mais os indivíduos. E esse estímulo deve transparecer inclusive em seu modo de conversar com os membros de sua equipe. Se alguém lhe trouxer uma idéia e o líder se limitar a dizer que isso não funciona, estará jogando um balde de água fria em seu interlocutor.

Por outro lado, o fato de você achar que não funciona não significa que o autor da idéia não seja capaz de encontrar soluções para fazê-la funcionar, caso se sinta encorajado o suficiente. Experimente dizer, em vez disso, algo como: “Você já pensou em como poderia solucionar tais e tais aspectos referentes à sua idéia?”, ou então: “De que forma você poderia colocar isso em prática?”. Se a idéia for de fato inviável, o próprio autor acabará percebendo isso por si próprio, sem se sentir humilhado ou rejeitado. E não se sentirá constrangido ao voltar a procurá-lo com novas idéias, ou com novas soluções para viabilizar a idéia anterior. Lembre-se: o primeiro requisito para ter uma equipe criativa é não subestimar a criatividade de ninguém. Reflita sobre o modo com o qual você está lidando com as idéias e sugestões de seus colaboradores. Se você se identificar com as respostas da primeira coluna da tabela a seguir, experimente passar para as respostas da segunda coluna e observe. Os resultados irão surpreendê-lo.

 

                     Em vez de dizer...

 

                                 Diga

 

Não vejo como poderia aproveitar a

sua idéia.

 

 

Como você acha que sua idéia poderia

ser aproveitada?

 

Não gosto de sua idéia e vou

lhe dizer por quê.

 

 

Existem tais e tais aspectos a serem

considerados. Você poderia trabalhar

mais sua idéia para incluí-los?

 

Sua sugestão é inviável.

 

 

 

De que forma sua sugestão poderia

ser colocada em prática?

 

Alguém chegou na sua frente. Já

existem pessoas trabalhando nesse

projeto.

 

 

Há uma outra área que ainda não foi 

coberta.

Acredito que você poderia desenvol-

ver um projeto igualmente bom para

preencher essa lacuna.

 

Sua proposta é muito vaga e

incompleta.

 

 

Isso pode ser a semente de algo mui-

to interessante. Desenvolva mais sua

proposta e não hesite em me procurar.

 

Sua solução é pouco convencional

e envolve muitos riscos.

 

 

Sua solução é muito original. Vamos

pensar juntos em seus possíveis desdobramentos.

 

Sua proposta é complicada e os

custos de implantação vão ser

altos.

 

 

Sua proposta é complexa. Você já fez

um levantamento de custos?

 

 

Isso já foi feito antes e não deu

certo.

 

 

 

Já foram feitas experiências semelhan-

tes, mas surgiram alguns problemas.

Analise-os para ver como seu projeto pode

superá-los.

 

Isso não é prioridade.

 

 

De que forma sua iniciativa poderia se

encaixar em nossas prioridades?

 

 

Isso não funciona.

 

 

Você poderia me explicar melhor como

seu projeto lidaria com tais e tais

desafios?

As respostas da segunda coluna contribuem para gerar um clima de confiança, no qual os funcionários se sentem estimulados a pensar e a propor novas idéias. Naturalmente, fazem parte das atribuições de um líder cancelar projetos e recusar propostas, às vezes até mesmo contra sua vontade, em função de determinações superiores. Mas o bom líder lida com isso de maneira a provocar o menor dano possível na auto-estima e no entusiasmo de seus funcionários. E mais: se ele for um líder realmente excepcional, saberá converter o problema em desafio, e o desafio em motivação capaz de estimular a criatividade de sua equipe.

* Paulo Kretly é presidente e consultor da FranklinCovey Brasil e autor de Figura de Transição – O Poder de Mudar Gerações.